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Transtorno compulsivo por compras: da fortuna ao infortúnio.

Michael Jackson foi considerado o rei do pop, com recorde de venda em 1,5 bilhões de gravações em toda a sua carreira e se manteve no ápice  musical de 1969 até sua morte em 2009. Apesar de ter sido um dos artistas mais influentes do mundo, Michael ficou conhecido pelo seu comportamento excêntrico. No documentário Living with Michael, o cantor faz diversas revelações e mostra aspectos particulares de sua vida. Em determinado momento, quando o astro vai às compras o entrevistador pergunta: “Você gosta de comprar?” e Michael responde: “adoro”. O cantor tinha uma rancho com mansão, zoológico até estação de trem particular.

O problema central era o fato de que Michael Jackson recebia milhões e milhões de dólares todos os anos pelos royalties de suas canções e mesmo assim estava enterrado em dívidas que chegaram até 500 milhões de dólares, sendo que boa parte dos pagamentos que Jackson fazia eram associados com juros de empréstimos, cerca de 30 milhões anuais, quando morreu em 2009. Porém, desde 2007, já não recebia mais empréstimos por causa das dívidas acumuladas.  Esse é um caso clássico de compulsão por compras ou Oniomania. Não é necessário ser tão rico quanto Michael para ter uma perturbação obsessiva-compulsiva desenvolvida ao ponto de desequilibrar a balança entre ganhos e gastos.

As principais características de quem tem compulsão por compras engloba os seguintes fatores: i) Esconder compras de familiares; ii) Mentir sobre o valor do que foi comprado; iii) Comprar quando tristes ou deprimidos; iv) Sentir euforia ou ansiedade durante as compras; v) Sentimento de culpa e vergonha depois das compras; vi) Encontrar maneiras irreais de encaixar os gastos em suas contas pessoais; vii) Comprar sem necessidade ou utilidade; viii) Não resistir ao impulso quando querem algo; ix) Prejudicar-se financeiramente pela falta de controle emocional; x) Gastar mais do que se ganha e comprar mesmo que não tenham dinheiro para isso, e; xi) sentir alívio imediato e momentâneo no momento da compra.

A Organização Mundia da Saúde (OMS), estima que cerca de 120 milhões de pessoas sofrem com algum tipo de compulsão no mundo. A doença é o quarto diagnóstico psiquiátrico mais frequente e também aumenta a predisposição para outros distúrbios. Cerca de 70% dos pacientes diagnosticados, por exemplo, têm depressão. Mas como o tratamento para compulsão por compras pode ser realizado?

O primeiro passo para o tratamento é ter autopercepção dos momentos em que ocorrem os descontrole se descobrir o que impulsiona a ação de compra. Outra sugestão é a identificação de valores, descobrir o que é importante além dos bens materiais – estar entre amigos, ter momentos de lazer na praia ou em parques públicos. Embora existam tratamentos eficientes com medicamentos e psicoterapia cognitivo comportamental (TCC), aproximadamente 25% de pacientes compulsivos não respondem a eles.

Nesse sentido, a neurociência já deu um passo importante. Ao buscar novas formas de intervenção que ajudassem no alívio dos sintomas de dependência, encontrou na técnica de estimulação magnética transcraniana uma alternativa terapêutica com resultados bastante positivos. Esse tratamento não invasivo usa campos magnéticos para estimular pequenas regiões do cérebro por indução eletromagnética através de uma bobina colocada próxima da cabeça do paciente. Desde sua criação, a estimulação consolidou-se na neurociência.  Por isso, para quem tem transtorno compulsivo por compras, como o rei do pop, esse pode ser o tratamento mais indicado, ainda mais em tempos de crise.

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