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Diálogos com Dra. Vanessa Teixeira Müller: Ansiedade e Síndrome do Pânico.

Olá Dra. Vanessa Müller, assim como muitas mulheres, a apresentadora Fátima Bernardes revelou ter sofrido com ansiedade e pânico após o nascimento de seus filhos. A jornalista contou que a primeira manifestação do pânico aconteceu em uma viagem de avião Dra. é natural nos sentirmos ansiosos?

Medo e ansiedade são reações naturais e tem um potencial de nos ajudar em situações perigosas ou nos preparar para encararmos algum desafio específico, por exemplo para uma prova em um concurso. No caso da apresentadora, o fato de ter sido mãe – ou seja, de ter ocorrido algumas alterações hormonais normais durante a gravidez, a preocupação recente com os nenéns – isso associado com alguma situação específica no avião pode ter resultado em um aumento da ansiedade e do medo.

Dra. Vanessa essa ansiedade é uma doença?

Quando o medo e ansiedade ocorrem de uma forma exagerada e desproporcional ao evento, de forma crônica e levam a um prejuízo funcional é sim considerado doença. Por exemplo, nesse caso da apresentadora, o problema só foi reconhecido quando notou que estava inventando desculpas para não entrar em um avião novamente, segundo o depoimento para os meios de mídia.

E o que seria pânico?

Quando o medo e a ansiedade se tornam esmagadores, muito fortes, você experimenta o pânico. É um transtorno de ansiedade que gera ataques de medo intenso. As respostas físicas ao pânico são causadas por um surto de adrenalina sendo liberado em sua corrente sanguínea, que é projetado para ajudá-lo a ficar e lutar, ou fugir. Se você está experimentando os sintomas de pânico sem uma razão externa óbvia para pânico, você pode estar tendo um ataque de pânico.

E Dra.Vanessa quando ocorre o ataque de pânico?

Ocorre de forma repentina,duram minutos, nunca horas. É um medo, uma ansiedade muito forte que acontece em uma situação em que outras pessoas não teriam medo ou ansiedade. Muitos pacientes já me referiram “meu coração dispara, fico com boca seca, mão gelada, visão turva, pareço que vou morrer”. As vezes pode ser tão restritivo, pelo medo do medo, medo de reexperienciar aquela sensação muito desagradável que se não for tratado adequadamente que pode levar a evitação agorafóbica de situações em que a fuga pode ser difícil ou embaraçosa, como lugares lotados, em cinema, durante a direção de veículos etc. Pode gerar uma evitação até chegar ao ponto de não querer sair do quarto, viver em uma prisão, prisão pelo medo.

O pânico é uma doença rara?

Ao contrário, cerca de 35- 50% dos adultos vão experienciar pelo menos um ataque de pânico durante a vida, e cerca de 7% dos adultos apresentam crises frequentes que entram no critério do DSM (manual das doenças mentais) em algum ponto da vida.

Quais são os sintomas mais comuns?

Ataques de pânico são períodos súbitos de ansiedade intensa ou medo, onde quatro (ou mais) dos sintomas a seguir (taquicardia, tremor, falta de ar, dor no peito ou desconforto, náusea, dor abdominal, tonteira, dormência, formigamento, sentimentos de irrealidade, despersonalização, sensação de morte e atingem o pico em 10 minutos.

Como ocorre o tratamento para o transtorno de pânico?

Primeiramente educação, conscientização e educação sobre o tema. A abordagem terapêutica envolve diversos profissionais como psicólogo, psiquiatra, terapeuta ocupacional, profissional da educação física. Sabe-se que tanto terapia cognitivo-comportamental, quanto uso de psicofármacos podem ser muito úteis.

Dra .Vanessa, poderia nos dar algumas dicas para aliviar os sintomas?

Meditação, atividade física com exercícios aeróbicos são muito bem vindos (corrida/elíptico/polichinelo etc). Recomendo também e muito para meus pacientes um protocolo de respiração diafragmática utilizado na universidade de Sidney, na Austrália, e outro protocolo de envolvendo medidas – inspire pelo nariz por 6 segundos. Prenda a respiração por 7 segundos e logo a seguir expire por 8 segundos. Recomendo que faca esse exercício não somente durante a crise, mas pelo menos duas vezes ao dia. Outras dicas da universidade de Sidney: Respire o mais profundamente e rapidamente que puder por um minuto. E Sacuda a cabeça de um lado para o outro por 30 segundos. E Corra para cima e para baixo no local o mais rápido que puder por um minuto. E Prenda a respiração por 30 segundos. E Levante-se e gire em círculos o mais rápido que puder por 30 segundos para ficar tonto. Respire por um canudo fino por um minuto enquanto segura o nariz.

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