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Esquizofrenia: Com amor Van Gogh

Poucas mídias mostram uma declaração de amor tão intensa quanto o filme “Com Amor, Vah Gogh”. Essa obra criou uma técnica da animação a partir de pinturas a óleo, com o estilo do pintor e imagens de 400 obras do artista. Apesar de marcar a história da arte, somente após a própria morte foi reconhecido como gênio incompreendido, pois em vida foi internado por possível depressão e esquizofrenia.

A esquizofrenia acomete cerca de 1% da população mundial e aparece frequentemente no final da adolescência ou no início da vida adulta. Merece destaque o fato de que a esquizofrenia é a principal classe de patologia com transtornos chamados psicóticos. A psicose ocorre quando pacientes têm alterações na percepção subjetiva da realidade, ou seja, quando mostram casos de delírios, e em sensopercepção, quando ocorrem alucinações, especialmente, auditivas. Além de psicose durante momentos de crise, é frequente o paciente apresentar alterações comportamentais associadas com lesões cerebrais que provocam distúrbios cognitivos e emocionais. Pesquisas apontam diversas causas para esquizofrenia, principalmente fatores genéticos, pois cerca de 80% dos pacientes têm pais ou irmãos com o mesmo transtorno. Algumas situações podem aumentar as chances do aparecimento da doença. Por exemplo, ser exposto a toxinas, má nutrição, vírus – particularmente nos primeiros meses de gestação – problemas no parto, pais com idade mais avançada, uso de drogas ilícitas e tabagismo.

Van Gogh ficou conhecido dentro da sua genialidade por convergir a dualidade entre o aumento de depressões, quadros psicóticos e das próprias criações  em obras de arte. Porém, essa esquizofrenia, chamada de simples, na qual ocorrem perdas afetivas e redução de funcionalidade ocupacional e social não é a única existente. Além dela, existem a paranoide, com predomínio de delírios e alucinações; a desorganizada, com pensamento e discurso desconexo, e; a catatônica, quando o paciente tem alterações posturais atípicas por longos períodos e resistência passiva e ativa em mudar tais posições.

No final do século XIX, o tratamento na época em que Van Gogh vivia era precário – naquela época, relatos indicam que o artista sofria de episódios psicóticos e alucinações, temendo por sua estabilidade mental e frequentemente negligenciando sua saúde física, não comendo direito e bebendo muito. Em uma briga com seu amigo Gauguin, num ataque de raiva, Van Gogh pegou uma lâmina e cortou parte de sua própria orelha esquerda. Após isso, passou um tempo internado em hospitais psiquiátricos, mas mesmo após sua liberação a depressão continuou até que o artista disparou contra o próprio peito em julho de 1890 – morreu 2 dias depois. Infelizmente, naquele momento não haviam os medicamentos que existem hoje e os tratamentos não medicamentosos auxiliadores, com terapia psicossocial e ou tratamentos não invasivos que têm tido grande visibilidade pela melhora efetiva do quadro esquizofrênico, como a estimulação magnética transcraniana.

A estimulação magnética transcraniana é uma técnica capaz de estimular o cérebro através de um método indolor, não-invasivo e simples de ser aplicado. Utilizada desde o início da década de 1990, com resultados clínicos surpreendentes, mostra uma boa eficácia no tratamento de depressão e  esquizofrenia. Em pacientes com esquizofrenia estudos demostraram grande melhora na intensidade das alucinações, com remissão quase completa das alucinações com 15 sessões do tratamento. Esse tratamento mostra cada vez mais melhoras nas alucinações auditivas com resultados promissores para pessoas com esquizofrenia.

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