Não é preciso sofrer com problemas sexuais para combater a depressão

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A banda de Rock Counting Crows ficou muito conhecida nos anos 90 com a música Mr.Jones, e por muito tempo existia uma teoria de que o tal de Mr Jones seria na verdade uma alusão ao pênis do vocalista Adam Duritz. Mesmo que essa história não possa ser confirmada ou mesmo desmentida, fato é que os homens prestam muita atenção ao seu “Mr.Jones”. E cada vez de maneira mais precoce, homens e mulheres apresentam questões ligadas a sua vida sexual, que é considerada um importante indicador de qualidade de vida.

Diferentes fatores interferem negativamente na atividade sexual humana: transtornos psiquiátricos, doenças médicas gerais como diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, uso de medicamentos, doenças neurológicas e combinações desses diferentes fatores. Em relação aos distúrbios psiquiátricos, deve-se investigar se a disfunção sexual já incomodava o paciente antes da depressão, e se está relacionada ao transtorno ou ao seu tratamento. Felizmente, promover vida sexual saudável, contra todos os preconceitos culturais e religiosos, passou a ser um tema constante na área da saúde. Por isso, a avaliação da vida sexual, hoje em dia, está menos negligenciada nas consultas médicas e os pacientes por sua vez têm maior acesso à informação através da imprensa – leiga de dados sobre os efeitos colaterais dos medicamentos– ou mesmo pelo famoso Dr. Google. O fato é que os pacientes mais instruídos já vão aos consultórios com suas anotações e dúvidas. Atendendo, percebo claramente uma diferença entre os gêneros: as mulheres esboçam uma preocupação maior em relação ao ganho de peso, perda cognitiva e risco do uso dos medicamentos na gravidez/lactação e já os homens sempre temem a disfunção sexual e a perda cognitiva.

Entre os psicofármacos, em função de seu uso mais difundido, os antidepressivos são as drogas mais relacionadas com disfunção sexual (DS). Os antidepressivos, mesmo os mais atuais, têm sido reportados como causadores de DS em 62,4 % e 56,9%, nos homens e nas mulheres respectivamente, sendo a redução da libido, disfunção erétil, anorgasmia (ausência do orgasmo) ou dificuldade de atingir o orgasmo as queixas mais frequentes.

Os efeitos colaterais na esfera sexual devem merecer maior atenção, na medida em que constituem um dos principais fatores de abandono no tratamento, e consequentemente, de recaída. A Sociedade Americana de Neuromodulação recomenda o tratamento através da Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) em caso de refratariedade (não resposta clínica a pelo menos um antidepressivo) ou por interrupção do fármaco devido à persistência de efeitos colaterais. É uma técnica moderna, não invasiva, indolor, realizada por médico – preferencialmente neuropsiquiatra em consultório.

E, assim como no final da música Mr. Jones – “Serei tão feliz quanto for possível, eu e Mr. Jones seremos estrelas” –, a EMT pode ser uma boa estratégia, pois praticamente não há contra indicação (à exceção de pessoas com uso de implante coclear) e apresenta baixíssimos efeitos colaterais. Essa alta tolerabilidade é justificada, em parte, pela regulação do cérebro a partir de estímulos excitatórios ou inibitórios direcionados de forma focal e precisa, diferentemente dos medicamentos que atuam de forma mais generalizada.

Vale considerar a Estimulação Magnética Transcraniana como uma opção para o tratamento da depressão em ocasiões:

– de casos refratários: quando não há resultados após o uso de pelo menos um antidepressivo

– de interrupção do remédio por causa dos efeitos colaterais desagradáveis e persistentes

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Referências:

  • Cordas TA, Laranjeiras M. Sexual side effects of psychotropic drugs. Rev.Psiq.Clin 33(3) 168-73, 2006.
  • Crespo CA. Antidepressivos e disfunções sexuais. Parte 1. Psychiatry online Brasil. 2012 Agosto; vol.17, nº 8.

Por Dra. Vanessa Teixeira Muller

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