
Na vida real, muitas vezes esse transtorno não é diagnosticado ou possui diagnóstico tardio e até mesmo confundido com transtorno bipolar. A pessoa borderline, normalmente, tem medo extremo de ser trocado(a) em um relacionamento com ciúme extremo. Faz exercício de forma compulsiva para ficar em forma e tratamentos de beleza, como plásticas e dietas rigorosas. O sentimento de rejeição é extremo, particularmente, associado com críticas e opiniões negativas sobre a a aparência. Em episódios de ciúme, sentimento de rejeição e agressividade, a pessoa ameaça se matar e as brigas acontecem de maneira desproporcional. Dessa forma, conseguimos compreender que a crise de identidade também é uma das marcas do borderline, assim como Skywalker, ao longo da vida, a pessoa pode migrar para as forças do mal e virar Darth Vader e, dessa forma, mostra um perfil associado com o vilão das galáxias e, ao trocar as trevas pela luz, decide morrer como uma pessoa boa.
O transtorno borderline é muito frequente na sociedade, cerca de 2% da população o apresenta e, infelizmente, em 10% dos casos ocorre o suicídio. Esse mês é preventivo à tentativa de suicídio e, no caso de pessoas com transtorno limítrofe, sabe-se que há redução de regulação da resposta ao estresse e emoções em algumas regiões do cérebro, o que afeta o hipocampo, a região da amígdala, o córtex orbitofrontal e diversas outras áreas. Por exemplo, o hipocampo se torna menor em pessoas borderlines, assim como a região da amígdala, porém mais ativas o que traz um sinal negativo das emoções vividas ao longo do dia. Em contra-partida, a região do córtex pré-frontal tende a ser menos ativa, particularmente, quando relembram memórias de abandono – essa inatividade ocorre nas áreas de Broadmann o que reduz o controle da excitação emocional e a relativa inatividade no córtex pré-frontal. Isso explica a dificuldade dos indivíduos com esse transtorno em regular as respostas ao estresse, com destaque ao emocional. Além disso, o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal tem elevada liberação de cortisol, hormônio associado ao estresse que aumenta a irritabilidade e a agressividade do paciente.
Mas, como tratar esse transtorno?
Os pacientes borderlines devem procurar terapeutas e neurologistas ou psiquiatras que realizarão tratamento com medicamentos e com tratamentos não invasivos. Por exemplo, desde o início dos anos 2000, a estimulação magnética transcraniana mostra eficácia em todas as pesquisas em que foi utilizada como intervenção em pessoas com transtorno borderline. Nos trabalhos acadêmicos, os pacientes normalmente são submetidos entre 15 e 30 sessões com frequência semanal de 3 x, dependendo do caso. No final dessas intervenções com estimulação, cerca de 75% dos indivíduos submetidos ao tratamento não necessitavam mais da medicação psiquiátrica e, em muitas pesquisas, todos os indivíduos mostraram estar livres dos psicotrópicos.