Como a estimulação magnética ajuda no alívio das dores crônicas

Onde dói? Com certeza você já ouviu essa pergunta no consultório médico diversas vezes, e não à toa. A dor é a forma que o corpo tem de nos avisar de que algo não está bem. Mas imagine se essa sensação desconfortável nunca parasse, e se tornasse comum no dia a dia? É o caso da dor crônica, condição que atinge 30% da população do mundo e mais de 50 milhões de brasileiros, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Caracterizada por um desconforto intenso localizado em alguma região do corpo, a dor crônica pode ser causada por múltiplos fatores, que vão desde dores de cabeça, nas costas e nas articulações, os tipos mais comuns, até neuropatia diabética e acidente vascular cerebral. As doenças degenerativas, como osteoporose e reumatismo, também predispõem ao surgimento do distúrbio. Estima-se que 80% dos idosos possuam algum tipo de problema de saúde que favoreça a manifestação da dor crônica.

Dor aguda x dor crônica

Diferente da dor aguda, caracterizada por uma sensação desagradável que ocorre quando há uma lesão, a dor crônica é contínua e acaba se tornando a doença em si. Por exemplo, quando há um corte ou queimadura, a dor aguda se mantém por um tempo, mas logo depois desaparece. Já a dor crônica pode permanecer por meses e até anos, afetando significativamente a qualidade de vida do paciente e trazendo outras consequências graves, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono, prejuízos sociais e profissionais, além do aumento nos gastos com a saúde.

O tratamento não é simples. A maioria das pessoas não busca ajuda quando a dor ainda é um problema discreto, contribuindo para que ela se agrave a ponto de tornar-se insuportável. Além disso, embora existam avanços importantes no uso de medicamentos, apenas 50% dos pacientes apresentam um controle satisfatório aos episódios de dor.

A boa notícia é que uma nova intervenção surge como um complemento eficaz no tratamento e alívio das dores crônicas: a estimulação magnética transcraniana (EMT). Além de trazer menos efeitos colaterais, estudos recentes mostram que a técnica tem resultados positivos, com boa melhora nas variáveis de dor dos pacientes. O método é também seguro, o que é fundamental na busca por novas alternativas médicas.

Conheça a técnica de estimulação magnética transcraniana

Por meio da variação de um campo magnético, a estimulação magnética inibe as regiões do cérebro envolvidas no processamento da dor. Ao modificar e equilibrar essas áreas, a técnica não só ajuda na redução dos níveis de dor, como também traz melhoras importantes nos sintomas de depressão e ansiedade, comuns entre pacientes que sofrem com as dores crônicas.

No Brasil, a estimulação magnética é liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2006 e recomendada pelo Conselho Federal de Medicina para o tratamento de depressão e esquizofrenia desde 2012. Além disso, sua utilidade terapêutica para outros distúrbios neurológicos, como as dores crônicas, já vem sendo apontada em diversos artigos e pesquisas.

Os principais benefícios da EMT

– É uma técnica não invasiva, que pode ser realizada no próprio consultório médico.

– Produz um campo magnético mais focal, dando um controle maior sobre a área estimulada.

– É indolor, sem necessidade de anestesia.

– Quase ausência de efeitos colaterais. É extremamente segura, não traz danos aos órgãos, como medicamentos podem causar.

– A única restrição é para pessoas com dispositivos eletrônicos ou metálicos na cabeça, principalmente implante coclear. O campo magnético pode de alguma forma interferir no funcionamento do aparelho.

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Este post tem 4 comentários

  1. Glaucia

    É indicado para tto/ de hérnia de disco ?

    1. VTM

      Olá Glaucia!
      As dores crônicas possuem boa resposta terapêutica com a Estimulação Magnética Transcraniana. Porém, a indicação ou não para cada caso deve ser determinada através de avaliação médica.
      À disposição.
      Att,
      Equipe VTM.

  2. Evander

    Olá Dra. Iniciei o tratamento com EMTr, tenho depressão maior não psicótica, e além disso tenho muitas dores na coluna por ter feito uma Artrodese lombrar. Pergunto: tratando a depressão terei melhora no quadro álgico? Ou tenho que fazer sessões direcionadas de EMTr para dor crônica?
    Abs
    (Pergunto para ter outra opinião médica)

    1. Diferentes protocolos podem ser realizados, alguns tratam concomitantemente sintomatologia tanto para dor quanto para depressão. A escolha da estratégia neuromodulatória depende de uma entrevista/anamnese/ exame fisico adequados e eventualmente de exames complementares como RNM funcional/SPECT, por exemplo.

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